Como eu estive ausente na aula 1, faço aqui uma junção dos conteúdos trabalhados nas duas primeiras aulas.
Nessas aulas o professor Luiz Fernando abordou questões introdutórias para a compreensão do objetivo da disciplina. Assim, pudemos ter uma noção do que será essencialmente priorizado no decorrer dos encontros. São objetivos centrais: conceiturar o hipertexto dentro dos estudos da Linguística Textual; discutir as funções retóricas e argumentativas instauradas pelos links; estudar relações entre as linguagens na composição de hipertextos multimodais; aprofundar questões relativas ao conceito de gênero textual digital e analisar as exigências cognitivas para o leitor de hipertexto.
A partir do estudo sobre a história do hipertexto, incluirei a seguir alguns pontos relevantes discutidos na aula.
Principalmente entre os anos 40 e 50, notava-se uma crescente busca por conhecimento, dentro de um contexto social com fortes influências do pós-industrialismo nos Estados Unidos, havia então uma necessidade de estratégias de organização apropriadas para armazenamento, acesso e busca, já que eram notadamente crescentes a quantidades de ideias e informações disseminadas.
É nesse contexto que o físico e matemático Vannervar Bush percebeu que a mente humana não funcionava mais de forma linear, como até então se defendia, mas funcionava por associações. O estudioso apresenta no artigo As we may think (1945), um dispositivo mecânico, o memex (Memory Extension), cuja idealização de usuário seria o pesquisador acadêmico, caracterizando uma nova forma de indexação e de acesso aos conteúdos, já que considerava-se que a quantidade de informação muitas vezes excedia à memória humana. Segue uma animação sobre esse dispositivo que marcou a produção de Bush, de forma a abrir caminhos para o desenvolvimento da tecnologia como meio facilitador de administração de informações, e até para a noção de hipertexto, que seria desenvolvida 15 anos depois, com o advento das tecnologias de informação.
Com Theodore Nelson, juntamente com um grupo de estudantes de Harvard, foi desenvolvido o hipertexto digital em 1967. Com o advento da Web 2,0, no ano de 2.000, foi possível passarmos a ser produtores de informação, nesse sentido o hipertexto idealizado por Nelson pôde ser efetivamente desenvolvido.
Outro grande nome para o desenvolvimento da tecnologia é Douglas Engelbart, foi ele quem criou o mouse e o conceito das múltiplas janelas. Ele e o seu grupo construíram o primeiro sistema para lincar blocos de informação e ainda projetaram e desenvolveram o primeiro sistema de hipermídia para o computador.
Tim Berners-Lee desenvolveu a World Wide Web em 1989, pesquisador da CERN, um laboratório de pesquisa sediado na Suíça. A Web começou a funcionar em 1991, Chegamos, então mais próximo do que conhecemos e utilizamos nos dias atuais, com a interligação de informações e a vasta gama de possibilidades que tempos para utilização da tecnologia.
Num segundo momento o professor Luiz Fernando chama a atenção para a necessidade de estudar o hipertexto no campo da linguística, então discutimos sobre os estudos contemporâneos sobre hipertexto, com base no texto "Texto e hipertexto: o 'hiper do hipertexto e outras questões" (Gomes, 2010). Incluirei a seguir pontos relevantes discutidos:
- O hipertexto é multidimensional
- Há uma necessidade de atenção para o estudo da construção de sentidos com o uso do hipertexto
- Os leitores de hipertexto o utilizam a serviço de seus objetivos.
Pudemos perceber que os estudiosos do hipertexto dividem-se de uma maneira geral, no sentido de priorizar as diferenças ou semelhanças entre texto convencional e hipertexto.
Numa era em que a tecnologia tem papel central na vida das pessoas não é espantoso o fato de surgir a cada dia novas formas de interação social através dos recursos tecnológicos emergentes e com isso os diferentes usos da leitura e escrita, de forma prática e dinâmica.
Referência:
GOMES, Luiz Fernando. Hipertextos Multimodais: leitura e escrita na Digital. Jundaí: Paco Editora, 2010, p. 19-32.
_____ Hipertexto no Cotidiano Escolar. Série Trabalhando Com. São Paulo:Cortez Editora, 2011, p. 15-25.